A Big Band de Charlie Barnet

 

 

 

 

 

Charlie Barnet

 

O bandleader Charlie Barnet ocupou um lugar de destaque na chamada "Era das Big
Bands". Exímio instrumentista (tocava sax alto, tenor e soprano) era também compositor
e arranjador. Liderou um dos melhores grupos musicais da época de ouro do swing.
Charles Daly Barnet (1913-1991), descendia de uma família abastada de Nova Iorque
(EUA). Seus pais queriam que ele se tornasse um proeminente advogado, para gerir
os negócios da família. Estudou nas melhores escolas, dentre elas a Rumsey Hall e a
Blair Academy, matriculando-se, posteriormente, na Yale University. Charlie porém,
desde a adolescência, demonstrava uma insuperável inclinação para a música.
Abandonou os estudos, para decepção dos familiares, mergulhando de corpo e alma
na carreira musical.
Depois de um aprendizado inicial nas orquestras de Frank Wineger, Beasley Smith,
Hank Biagini, Huston Ray e The California Ramblers, organiza, no início de 1933, seu
próprio grupo, formando uma "swing band" de primeira linha. Charlie sempre nutriu
grande admiração pela figura lendária de Duke Ellington. Assim sendo, procurava
modelar seus arranjos orquestrais à semelhança dos executados por seu ídolo e
não fazia segredo disso. Seus críticos diziam que era uma orquestra mais para se
ouvir do que para se dançar. Era "quente"e animada. Estreou no mês de março de
1933 no Paramount Grill, em Nova Iorque, inicialmente com arranjos executados por
Paul Weirick. Posteriormente, nomes notáveis do cenário musical da época, marcaram
de forma indelével o estilo da banda. Os arranjadores Eddie Sauter, Tutti Camarata,
Ralph Burns, Billy May e Skip Martin são alguns deles, além do próprio Charlie. Não
tendo problemas econômicos, como a maioria de seus colegas "bandleaders", essa
situação privilegiada, deu-lhe a oportunidade de formar uma corporação musical de
qualidade, estilo e organização impecáveis.
O resultado não poderia ser outro, uma orquestra simplesmente soberba.
Charlie tinha personalidade extrovertida e jovial, uma figura de galã hollywoodiano
com mais de um metro e noventa de altura. Trabalhar com ele era uma festa
permanente. A música tema da orquestra, era a efervescente "Cherokee", bela
composição de Ray Noble. Antes, Charlie usou outras duas músicas como tema.
"Redskin Rhumba"e "I Lost Another Sweetheart".
No verão de 1936 faz sua estréia no Glenn Island Casino, em New Rochelle,
Estado de Nova Iorque, o famosíssimo salão de baile, onde lançou um novo grupo
vocal de Búffalo. "The Modernaires" que alcançaria a fama ao integrar, posteriormente,
a imortal orquestra de Glenn Miller.
Em 1939 apresenta-se no "Palomar Ballroom" de Los Angeles em uma temporada
de grande sucesso. Porém dois dias antes de terminar seu contrato, uma fatalidade,
o salão sofre um incêndio, destruindo-o totalmente.
Charlie perde, de uma hora para outra, todos os instrumentos, as partituras musicais
e até os uniformes da banda. Com a ajuda dos amigos Duke Ellington e Benny Carter,
que lhe enviaram novas partituras musicais, conseguiu reorganizar a banda e seguir
em frente. Dois anos mais tarde em 1941, novamente a tragédia o persegue. Perde
dois componentes da banda, o guitarrista Bus Etri e o trompetista Lloyd Hunding em
um desastre automobilístico em Los Angeles.
Pela orquestra de Charlie Barnet passaram músicos renomados, só gente do primeiro
time. Além dos já citados, destacamos, o baixista Sid Weiss, os trombonistas Sonny
Lee e Ford Leary (que também participava dos vocais), os trompetistas Bobby Burnet,
Charlie Shavers, Neat Hefti e Doc Severinsen, os vocalistas Mary Any McCall, Lena
Horne, Bob Carroll, Buddy Stewart, Al Lane, Kay Starr, Frances Wayne e Fran Warre.
A orquestra de Charlie Barnet gravou músicas que se tornaram famosas,"Skyliner",
"Pompton Turpike", "Be Fair", "Knockin' On The Famous Dor", "Murder At Peyton
Hall" e "Mother Fuzzy" são algumas delas.
Charlie era um ser humano de caracter e personalidade. Sempre teve enorme
admiração pelos músicos negros. Aliás Charlie Barnet e Benny Goodman foram os
primeiros bandleaders brancos a convidá-los a participarem de suas orquestras.
A vocalista Lena Horne, o trompetista Charlie Shavers, o trombonista Trummy Young e o
baixista Oscar Pettiford, trabalharam com Barnet.
Era um líder fantástico para se trabalhar, íntegro, leal e amigo. Permaneceu com sua
"big band", tocando em shows, bailes de formatura, teatros, hotéis e nas chamadas
"uma noites" (one night stand), até o início dos anos 50.
Da metade
dos anos 50 em diante, diminuiu o ritmo de trabalho, estabelecendo-se em
Palm Springs, Califórnia, reduto de milionários aposentados. Aí formou um pequeno
conjunto musical (Combo) que se apresentava com regularidade em shows, programas
de televisão e casinos na área de Hollywood.
Em 1984 publica sua autobiografia intitulada "Those Swinging Years". A orquestra
gravou para os selos, Bluebird, RCA Victor, Decca, Columbia e Capitol. Os admiradores
do gênero podem encontrar suas belas gravações, inclusive em "Compact Disc".
Charlie faleceu a 4 de setembro de 1991, em San Diego, Califórnia.


 

 

 

 

         

Charlie Barnet e sua orquestra no Palomar em setembro de 1939. No dia 2 de outubro o "ballroom" pegou fogo, sendo totalmente destruído, inclusive os instrumentos e as partituras.