Jimmie Lucenford e o Harlem Express

     Jimmie Lunceford (1902-1947) liderou uma das black bands mais excitantes
da era do swing. Fez escola e seguidores. Criou padrão de interpretação
acentuando o som de conjunto com uma banda altamente disciplinada.
Seu grupo "suingava" de maneira espetacular, balanço de tirar o fôlego. Na
liderança se postava à frente de seus músicos controlando-os e orientado-os
com segurança. Músicos notáveis se incorporaram a Lunceford. Uma
equipe admirável.

 

Jimmie Lunceford

 

 

 

 


     Sy Oliver era um deles, arranjador respeitadíssimo, também tocava
trompete e participava dos vocais. Willie Smith que entrou para o grupo em
1929, se tornou um dos melhores sax-altos de todos os tempos. Trummy
Young, trombonista, com participação em vocais memoráveis, como "Margie",
"Tain't What You Do" e muitos outros. Joe Thomas, sax-tenor e vocais, Earl
Carruthers, sax-barítono, Eddie Wilcox, piano e arranjados, Skooky Young,
trompete, Jimmy Crawford, bateria. Henry Wells, trombone, participava de
vocais e fazia arranjos para a banda. A orquestra apresentava-se
regularmente no Cotton Clube e no Teatro Apollo do Harlem. Viajavam
constantemente, chegando a fazer 200 apresentações por ano, as
chamadas "uma noites", muito cansativas e desgastantes. Na estrada todo o
tempo, em automóveis ou ônibus uma cidade atrás da outra sem parar,
chegando a percorrer 4.000 milhas anuais. Seus admiradores a consideravam
a mais elegante e bem trajada do "show business", sendo imitada por outras
orquestras.
     Lunceford possuía sólida cultura musical, graduando-se pela Escola
de Música da Fisk University em Nasville - Estado do Tennesse. O então
famoso pugilista Joe Louis "o demolidor de Detroit" , campeão mundial dos
pesos pesados por onze anos consecutivos, sempre declarava que ela era
sua banda favorita. Jimmie tinha um "hobby", adorava pilotar avião e foi
proprietário de alguns.
     Em 1942 após desentendimento por questões salariais, os principais
músicos da banda saíram. Estavam não somente descontentes com que
ganhavam, mas também saturados e exaustos com infindáveis viagens
pelo país. Soube-se posteriormente que Luncefor não controlava as
finanças da orquestra, não era o dono. Ele apenas a liderava, recebendo
por isso um salário como todos os outros componentes. Harold Oxley era
dono e empresário da banda.
     Sem Willie Smith, Trummy Young, Sy Oliver e Jimmy Crawford, a
espinha dorsal da banda, a qualidade ficou comprometida. Jimmie continuou
com um grupo bastante mudado até 1947, porém, sem o mesmo brilho de
antes. O fim veio quando Jimmie sofreu um ataque cardíaco que lhe tirou a
vida. Tinha apenas 45 anos.
     Seus fiéis seguidores de muitos anos Joe Thomas e Eddie Wilcox ainda
continuaram liderando o grupo por mais algum tempo, dissolvendo-o
posteriormente. Jimmie deixou rica coleção de gravações da banda para as
gravadoras Decca e Columbia.
     A maioria se transformou em "item" de colecionadores. Uma das mais
célebres gravações é "Blues In The Night", a melhor que já foi feita por
orquestra.
     Em 1957, a gravadora Capitol fez um tributo a Jimmie Lunceford, lançando
um L.P. com Billy May no comando. Billy convocou os antigos músicos de Jimmie,
adaptou os arranjos e gravou, copiando, nota por nota, o repertório de Jimmie.
Um álbum excelente.
     "Blues In The Night" está lá. Uma aula de jazz orquestrado.
     Jimmie Lunceford está colocado entre os quatro mais influentes
bandleaders de "black bands", faz companhia a Fletcher Henderson, Duke
Ellington e Count Basie.

A grande orquestra de Jimmy Lunceford no início dos anos 40