Charlie "Bird" Parker
Nascido
em Kansas City, capital do estado do mesmo nome, a 29 de
agosto de 1920. Parker demonstrou natural talento para o sax-alto que
ganhou de presente da mãe quanto tinha 11 anos de idade, iniciando
aprendizado em fanático regime de ensaios. Depois de trabalhar em bandas
de pouco destaque na cidade, atua na do pianista Jay Mc Shann, entre
1939 e 1941, fazendo as primeiras gravações onde aparecem os temas
"Serpian Bounce", "Jumpin'Blues" e "Lonely Boy Blues".
Em seguida,
junta-se ao grupo de Earl "Fatha"Hines, pianista e bandleader (1942-43),
conhecendo o trompetista Dizzy Gillespie e o crooner Billy Eckstine.

Quando Eckstine, em março de 1944, organiza
aquela que seria a
primeira banda "bebop" da história do jazz, convida Parker
para fazer parte
na secção de palhetas e Dizzy para diretor musical. Em setembro
desse
mesmo ano, Parker desvincula-se definitivamente das big bands para se
dedicar a pequenos conjuntos (Combos), em parceria com Dizzy, iniciando
temporada no clube noturno Three Deuces da famosa rua 52 em New York
City. A partir daí, grava uma série de temas para o selo independente
Savoy
com o guitarrista Tiny Grimes, as primeiras amostras sonoras de sua
técnica madura e personalíssima, um novo estilo jazzístico
que ficou
conhecido como "bebop", tendo em Parker e Dizzy seus principais criadores.
Em 1945, grava para os selos Guild, Manor e Comet
discos em 78 rotações
que se transformaram em sucesso por todo país. Entre os temas gravados
destacam-se "Koko" "Now's The Time" e "Grovin High",
com improvisações
alucinadas e virtuosismo esmerado. O "som" Parker se caracterizava
pela
ausência de vibrato e excepcional potência de sopro, estilo imitado
mesmo
por aqueles que não eram saxofonistas, uma influência sobre todos
os
jazzistas do seu tempo.
Se tudo ia bem musicalmente falando, a vida particular
era um autêntico
desastre; comportamento errático e instável, conseqüência
da ingestão
excessiva de bebidas alcóolicas, dependência de heroína
e casamentos
frustados. Apesar disso, em 1946 o produtor Norman Granz o contrata para
apresentações no Los Angeles Philharmonic, fazendo gravações
na etiqueta
Dial ao lado dos instrumentistas Howard McGhee, Lucky Thompson, Wardell
Gray e Dado Marmarosa, gravando também na Verve, criada por Granz.
O contínuo uso de álcool e heroína,
vai, aos poucos, minando a saúde e
tornando o comportamento cada vez mais instável e irresponsável,
chegando
a conseqüências desastrosas como o ocorrido após a histórica
gravação de
"Loverman" (julho de 1946) quando ateou fogo no quarto do hotel onde
se
hospedava. Por essa tresloucada atitude, foi encarcerado pelo espaço
de seis
meses na ala psiquiátrica do presídio de Los Angeles para passar
por um
programa de desintoxicação e reeducação.
Aparentemente recuperado, em 1947 emerge na cidade
de New York
liderando um quinteto simplesmente notável ao lado de Dizzy Gillespie
(trompete), Charles Mingus (baixo), Max Roach (bateria) e Bud Powell (piano),
gravando clássicos do jazz como "Scrapple From The Apple" e
"Klact-oveeseds-tene".
O início das excursões pela Europa
se dá em 1949, ao participar do
Festival de Jazz em Paris, visitando a Scandinávia no ano seguinte e
aclamado por multidões de entusiásticos admiradores.
No começo de 1955, Parker precisa de internação
hospitalar devido ao
agravamento da saúde. Os médicos diagnosticam úlcera gástricas
e
cirrose hepática. A última aparição pública
foi a 4 de março de 1955 no
clube noturno Birdland em New York City, resultando em um completo fiasco.
Já muito debilitado, Park morreria, oito dias depois (dia 12), na suite
do
hotel onde morava sua grande amiga, a baronesa Nica de Koenigswater,
rica aristocrata e fanática admiradora do "bebop". Ele não
havia completado
35 anos de idade. Corroído pelo vício, sua aparência era
a de um homem com
mais de 60.
Em 1988, o ator e diretor de cinema Clint Eastwood,
grande entusiasta do
jazz, dirigiu o filme "Bird", tendo o ator Forrest Whitaker no papel
de Parker e
a atriz Diane Venora como sua quarta esposa, Chan Richardson. Bela biografia
contando a trajetória de Charlie "Bird" Parker na música
e sua absoluta entrega
às drogas. No dia 12 de março de 1955 "Bird"(O Pássaro)
deixou de voar.