A Orquestra Casa Loma
Tudo
começou em 1929 na cidade de Detroit - Michigan (E.E.U.U.), onde um
grupo de músicos forma uma orquestra cooperativa, tendo Henry Biagini
como
líder. Seus componentes eram oriundos da "Orange Blossom Band"
(Banda Flor
de Laranjeira), uma facção dissidente da "Jean Goldkette
Band". Após um ano,
Henry Biagini se retira, sendo substituído pelo violinista Mel Jenssen.
O nome
"Casa Loma Orchestra", foi adotado em face de um convite que o recém-criado
grupo recebeu para se apresentar no clube noturno "Casa Loma", construído
especialmente para a visita do Príncipe de Gales.

O club nunca abriu, mas, como tributo, seus membros
resolveram adotar o
nome. No início de 1930, contando com excelentes instrumentistas e tocando
repertório que mesclava jazz orquestrado e baladas românticas,
conquista a
preferência da juventude americana. Em busca de maiores opções
de trabalho,
muda seu quartel general para Nova Iorque, iniciando longa temporada no
Essex House Hotel. A partir daí, foram aproximadamente cinco anos de
absoluto
sucesso. No início da "era das big bands (1935)", a orquestra
já detinha um
prestígio enorme junto ao público. Servia de exemplo e incentivo
para que novos
conjuntos musicais se formassem. Os irmãos Dorsey (Jimmy e Tommy)
decidiram organizar sua "big band", a "Dorsey Brothers Orchestra",
estimulados
pelo sucesso da "Casa Loma", anteriormente Jimmy havia participado
do "naipe"
de saxofones da orquestra por curto período.
Em 1937 Glen Gray, saxofonista do grupo
desde sua formação é eleito o novo
líder, pelos membros da cooperativa substituindo a Mel Jenssen. Com sua
comprovada eficiência e inegável carisma, a orquestra alcança
grande
notoriedade, passando a figurar entre as melhores do país. Além
de inúmeros
compromissos para apresentações nas mais variadas casas de espetáculos,
participa também do programa radiofônico "Camel Caravan"
com transmissões
para todo o país e que se estendem por mais de três anos. Na área
de Nova
Iorque, apresenta-se com frequência no "Lido Venice" de Boston,
"Steel Pier"
de Atlantic City, "Glen Island Casino" de New Rochelle e no "Teatro
Paramount"
de New York City. Após Glen Gray assumir a liderança, a orquestra
passa a ser
conhecida como, "Glen Gray e Sua Orquestra Casa Loma".
Nesse mesmo ano, no segundo semestre, desloca-se
para a costa Oeste em
temporada de grande sucesso no Palomar Ballroom de Los Angeles. Em 1939,
ao comemorar dez anos de atividades, seus discos estão entre os mais
vendidos,
destacando-se: "Smoke Rings" (o tema musical da orquestra),
"Casa Loma Stomp" e "No Name Jive" como seus maiores sucessos.
No início,
em 1929, as gravações eram realizadas na etiqueta Okeh, passando
depois para a
a Brunswick onde foram gravadas baladas memoráveis. Em 1934 passa a
gravar para o selo Decca.
Famosos astros do disco na época se sentiram
atraídos pelo som da
orquestra. As cantoras, Mildred Bailey, Lee Wiley e Connie Boswell gravaram
com o "escore" musical da "Casa Loma". Durante toda a existência
o elenco de
músicos sofreu algumas mudanças, entretanto, a maioria permaneceu
até a
dissolução no início dos anos 50.
Participaram da orquestra instrumentistas de grande
competência e
habilidade. São eles: Pat Davis, Les Arquette, Larry Sloat, Walter Smith,
Billy
Rausch, Pee Wee Hunt, Joe Hall, Frankie Zullo, Kenny Sargent, Sonny Dunhan,
Tony Briglia, Bobby Jones, Corky Cornelius, Grady Watts e Murray McEachern,
para citarmos os mais conhecidos. A orquestra manteve sob contrato excelentes
arranjadores. O guitarrista Gene Gifford se destacou como responsável
pelo
estilo musical da orquestra. Larry Clinton também fez arranjos antes
de formar
seu próprio grupo e Dick Jones que havia trabalhado para Tommy Dorsey,
revelou-se um arranjador sensível e criativo. Como vocalistas destacamos
a voz
romântica de Kenny Sargent, que também fazia parte do "naipe"
de saxofones,
Jack Richman, o trombonista Pee Wee Hunt e a lady-crooner Eugenie Baird.
Em 1940 a orquestra continuava a tocar com o mesmo
nível de aceitação dos
anos 30. Seus músicos se apresentavam impecavelmente vestidos. Em certas
ocasiões vestiam casada, como mostra a foto abaixo. Um luxo só
e com a classe
de sempre. Durante a 2ª Grande Guerra, apesar das dificuldades, Gray manteve
a orquestra
em plena atividade.
No final da década de 50, alguns anos após
a dissolução da orquestra, Glen
Gray volta aos estúdios para gravar uma série de long-plays, em
alta fidelidade,
mostrando o som das mais famosas big bands, agora para o Selo Capitol, e com
arranjos originais. Em 1963, após longa efermidade, Glen Gray faleceu
na cidade
de Peabody, no estado de Massachusets. Foi ele o hábil condutor desse
magnífico conjunto musical que se notabilizou entre centenas de outros.
