O Saxofonista Stan Getz
Entre os cinco sax-tenores verdadeiramente revolucionários do jazz norte-
americano, aqueles que impuseram uma maneira diferente de tocar o instrumento,
com novos idiomas e sons, está Stan Getz. Assim, depois de Coleman Hawkins, Lester
Young, Sonny Rollins e John Coltrane, vem Getz, o único brando dos cinco.
Saxofonista de timbre claro, nítido e suave, sabia tirar tudo do instrumento,
principalmente em baladas; também grande improvisador, notadamente no "be bop".
Stan Getz
Getz nasceu Stanley na cidade de Philadelphia na Pennsylvania a 2 de fevereiro de
1927, mudando-se com a familia , aos 4 anos de idade, para o bairro novaiorquino do
Bronx. Demonstrando dotes para a música, começa a estudar contra-baixo e fagote,
antes de decidir pelo sax-tenor. Com apenas 15 anos (1942), já esta tocando na banda
de Dick Rogers. Até 1946, com extraordinário aprendizado, trabalha com os
bandleaders Jack Teagarden, Stan Kenton, Jimmy Dorsey e Benny Goodman e,
somente aos 19 anos, iria entrar pela primeira vez em um estúdio de gravação
acompanhando músicos "boppers" como Hank Jones, pianista, Curly Russell, baixista
e Max Roach, baterista.
Quando foi a Los Angeles, estusiasmou-se ouvindo Dexter Gordon e Wardell Gray,
grandes solistas no estido do imortal Charlie "Bird" Parker. Em 1947 trabalha na
orquestra de Tommy De Carlo em uma formação atípica com quatro solistas que
tocavam o mesmo sax-tenor e idealizada pelo arranjador Gene Roland; com Getz,
Zoot Sims, Jimmy Giuffre e Herbie Steward e que pouco tempo depois ficaram
conhecidos como "The Brothers" (O irmãos). O bandleader Woody Herman, que
procurava novos componentes para sua banda, contratou-os em bloco, exceto
Giuffre.
Desta forma, Getz, cuja personalidade ja se fazia notar, incorporou-se a uma das
melhores big bands em todos os tempos e com ela foi peça fundamental no advento
do chamado "Cool Jazz", notadamente em dezembro de 1948 ao gravar histórico solo
em "Early Autumn". Da noite para o dia, seu nome saltou para a fama, ficando
conhecido no mundo todo e recebendo a denominação de "The Sound" (O Som).
Ao deixar Herman em 1949, começa a chefiar "Combos" (pequenos conjuntos
musicais) tendo como companhias figuras do jazz como os pianistas Horace Silver
e Al Haig, bateristas Roys Haynes e Tiny Kahn e o excepcional guitarrista Jimmy
Raney.
Sua colaboração com as organizações do produtor Norman Granz começou em
1952, gravando na etiqueta Verve e participando de eventos musicais nos EE.UU.
Europa e Japão em "tournées" do Jazz At The Philharmonic. Em meados dessa
década envolve-se com drogas, resultando em sérios problemas com a polícia e
abalo em sua saúde, necessitando de internação hospitalar para tratamento da
dependência. Depois de se recuperar em hospitais da Suécia, volta aos EE.UU.,
reatando atuações e fazendo gravações com o trompetista Dizzy Gillespie e o
pianista canadense Oscar Peterson, até que decidiu fixar residência na Suécia que
o havia conquistado. Lá permaneceu três longos anos tocando em toda a
Escandinávia.
Em 1961, volta às origens gravando sua obra-prima, o album "Focus". Entretanto,
o que o colocou novamente nos primeiros postos de popularidade foi o primeiro
disco gravado de "bossa nova": Jazz Samba", feito em 1962 com o guitarrista
Charlie Byrd. Ele gravaria também com a cantora brasileira Astrud Gilberto diversos
discos que foram vendidos no mundo inteiro. Tom Jobim, seu amigo, sempre que
solicitado tecia os mais favoráveis comentários acerca de seu virtuosismo no
sax-tenor.
Em constante atividade nos anos setenta e oitenta, viu-se forçado a interromper
suas atuações nos EE.UU e Europa em 1988 com sérios problemas hepáticos. Assim
que suas condições melhoraram volta a subir nos palcos, praticamente até o
último dia de sua intensa existência. A 6 de junho de 1991, "The Sound" não mais
voltaria a tocar para seus admiradores, a não ser através do alentado acervo que
legou.
Jack´s Big Band, com o muito jovem Stan Getz, à direita na fila da frente