Ray Charles
   Ray Charles Robinson, pianista, cantor e bandleader, nasceu em Albany
na Georgia, sul dos Estados Unidos a 23 de setembro de 1930. De familia
extremamente pobre, ao 7 anos fica cego em face de um glaucoma não
tratado. Em 1937, os Robinson mudaram-se para a Florida, época na qual
Charles ingressa no Saint Augustine College em Greenville, especializado no
ensino de cegos e mudos. Aí aprende a ler e escrever pelo método Braille,
estudando música clássica, ao mesmo tempo em que inicia aprendizado de
piano guitarra, e sax-alto e outros instrumentos de sopro. Na adolescência,
começa a tocar piano e sax-alto em pequenas orquestras de sua cidade,
animando festas, bailes e shows em clubes noturnos. Em 1948, aos
18 anos de idade, vai tentar a sorte no noroeste do país, na cidade de
Seattle no estado de Washington onde trabalha como músico itinerante,
liderando o conjunto musical Maxim Trio. Pouco tempo depois, seu nome e
o trio começam a se projetar na região, com Charles, líder, se exibindo ao
piano, sax-alto e também cantando estribilhos de canções. A partir daí,
começa a nascer o cantor Ray Charles com uma interpretação que imitava
o refinado vocalista Nat "King" Cole. O sucesso fez o Maxim Trio
transformar-se em Ray Charles Trio.

   Los Angeles - O Início da trajetória
   Após trabalhar com diversas orquestras de rhythm & blues e música
para dançar, muda-se para Los Angeles em 1949, fazendo sua estréia no
mundo do disco na etiqueta Swingtime. Incentivado pela gravadora, dissolve
o trio e forma sua própria big band. Data dessa época a gravação do tema
"Baby Let Me Hold Your Hand (Oh! Baby)", com a participação do saxofonista
Marshall Royal e do baterista Teddy Buckner.
   Os Anos Atlantic - Com a popularidade aumentando, Los Angeles tornou-se
limitada para suas atividades artísticas. Ao ser contratado pela gravadora
Atlantic, transfere sua área de ação para New York, permanecendo sob
contrato até o final da década, período considerado pela crítica como sendo
o de maior criatividade ao longo da carreira. No Atlantic tem a chance de
gravar temas musicais que resistiram ao tempo. "The Midnight Hour",
"A Fool For You", "Heartbreaker" ,"Hallelujah", e "I Love Her So", são alguns
deles. Seguem-se "Hard Times" e "Mary Ann" em 1955. Entre as canções
tradicionais estão: "The Man I Love", "My Melancholy Baby" e "I Surrender
Dear". Como destacado artista da gravadora, teve à sua disposição os
melhores instrumentistas de jazz; Oscar Pettiford, Cecil Payne, Joe
Bridgewater, David Newman e Milton Jackson estão presentes em gravações
desse período.

   Astro da ABC-Paramount - Ao se desligar da Atlantic em 1959, passa o
prestigioso selo ABC-Paramount, acompanhado por grandes orquestras
dirigidas pelos maestros e arranjadores Ralph Burns e Quincy Jones,
enriquecendo ainda mais seu repertório com canções como: "What´d I Say",
"Yes Indeed" e "Let The Good Time Roll", tornando-se astro de primeira
grandeza da gravadora. Obecendo às tendências do mercado fonográfico,
troca os velhos "blues" e "spirituals", baseando o repertório nos clássicos
populares de todos os tempos. Com voz roufenha e timbre característico ,
tem interpretações especiais e pungentes para temas como: "Georgia On
My Mind" e "Stella By Starlight". Seguem-se outros com arranjos feitos por
Marty Paich , Sid Feller e Gerald Wilson; "Ruby", "Moon Over Miami",
"Unchain My Heart", "Hit The Road Jack", "I Can´t Stop Loving You" e
"Ol´Man River", este cantado como se fosse um "blues". Vez ou outra
Charles volta ao jazz, à tradição da música negra. Tendo por companhia
a orquestra do pianista Count Basie (sem a presença do líder), grava em
meados dos anos 60 um album para o selo da subsidiária Impulse.

Reconhecimento e Fama
- Ray Charles foi um "Superstar" tendo levado sua
arte a todos os cantos do mundo.
Após uma infância miserável e infeliz, atormentado na juventude pelo vício
de entorpecentes, conseguiu livrar-se dessas vicissitudes através da música
e da vontade férrea de suplantar dificuldades.
Quando saía em tournées, viajava em seu próprio avião, com assessores,
secretários e todos os componentes da orquestra, cerca de 40 pessoas,
hospedando-se nos melhores hotéis. Em entrevista concedida a jornalistas
de vários países disse que ficou cego muito criança e tinha vagas
lembranças de quando enxergava. São sua palavras: "As imagens que
consegui reter em minha memória, antes de ficar cego, são as da Georgia,
das casas humildes dos negros, de meus pais, de meu irmão e da pobreza.
Não consegui ver o bem-estar; só pude tocá-lo.

Ray Charles e o Brasil - Em 1963, ao vir ao Brasil para a primeira temporada,
apresenta-se no auditório do Teatro Cultura Artística na extinta TV-Excelsior
Canal 9 de São Paulo. Juntamente com sua big band e o conjunto vocal
The Reallets, Charles fez shows inesquecíveis.
De lá para cá, seu prestígio só fez aumentar. Na década de 90 veio
regularmente ao Brasil, sempre com a imponente big band em perfomances
pelas principais cidades do país e casas sempre lotadas de fãs para vê-lo
em audições repletas de sentimento e emoção.
The Genius, como é chamado na América, um artista completo; píanista,
cantor, multinstrumentista, compositor, arranjador e bandleader.
Ray Charles morreu dia 10 de junho de 2004, aos 73 anos de idade.
 
 
 
 
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