Ira Gershwin

   Os irmãos Gershwin (Ira e George) são símbolos da música popular
norte-americana do século XX. Ira, o mais velho (1896-1983), era o mestre das
palavras, compondo letras maravilhosas, enquanto George (1898-1937) fez
partituras belíssimas; ambos protagonizaram a mais fértil parceria da história
do cancioneiro norte-americano, produzindo temas que se tornaram imortais
como: "The Man I Love", "A Foggy Day", "Embraceable You", e "Somebody
Loves Me", entre centenas de outros. Ira nasceu em uma família judaíca na
cidade de New York, sendo registrado com o nome de Israel Gershovitz (o pai,
após chegar aos Estados Unidos da América do Norte, "americanizou" o
sobrenome para Gershwin, adotando-o oficialmente a partir de 1916. Ira
recebeu o apelido de Mr.Words, enquanto George ficou conhecido como
Mr. Music, um gênio na composição musical que faleceu prematuramente
aos 39 anos de idade, a 11 de julho de 1937.

                                  
                                         George e Ira Gershwin

   Ira viveu até os 86 anos e nos estudos não foi um aluno brilhante,
tornando-se particularmente fascinado pela música popular no que concerne
às letras inseridas nas músicas, começando a compor seriamente a partir
de 1917 sob o pseudônimo de Arthur Francis (nomes dos outros irmãos). Nos
anos 20 e 30, intimamente associado a George, colabora em revistas
especialmente feitas para encenações na Broadway como: "Lady, Be Good"
(1924), com enorme sucesso (curiosamente o tema "The Man I Love", não foi
usado no espetáculo), "Oh, Kay! (1926) com a canção "Someone To Watch
Over Me", "Funny Face" (1927), surgindo o tema "´`S Wonderful", "Girl Crazy",
de 1930 trouxe "Embraceable You", e "I Got Rhythm". Depois vieram "Rosalie",
"Strike Up The Band" e a ópera negra "Porgy And Bess" que contou com a
participação de DuBose Heyward (1935), com standards de jazz "Summertime",
"Bess You Is My Woman" e "It Ain´t Necessarily So".
   Na metade dos anos 30 os irmãos vão para Hollywood (Ira fixa residência em
Los Angeles a partir de 1936 por se adaptar bem ao clima californiano),
dedicando-se a trilhas sonoras de clássicos longa-metragens como: "Vamos
Dançar?" (Shall We Dance?), de 1937, "Cativa e Cativante" (Damsel In
Distress), do mesmo ano e "The Goldwin Follies", de 1938.
   Depois da morte de George, Ira continuou fazendo letras com outros
compositores de renome como Billy Rose e Harry Warren ("Cheerful Little
Earful"), Harold Arlen e Yip Harburg ("Let´s Take Around The Block") e Jerome
Kerr e Vernon Duke ("I Can´t Get Started"), este tema belo e imortal.
   Um fato revelante aconteceu em 1931 quando Ira, uma vez mais, colaborou
com o irmão na conclusão da revista "Of TheeI Sing", resultando na conquista
do prêmio Pulitzer de teatro desse ano, ao primeiro musical a ganhar tal
láurea.
   Em permanente atividade criativa, escreve letras para músicas compostas por
Kurt Weill, inseridas na peça da Broadway "Lady In The Dark". Faria também
com Jerome Kern o escore musical da película "Cover Girl" (Modelos), de
1944, com Gene Kelly e Rita Hayworth onde aparece o tema "Long Ago And
Far Away"; escreve em colaboração com Harold Arlen para "Nasce Uma
Estrela" (A Star Is Born), de 1954, destacando a atriz Judy Garland e o ator
James Mason. Muitos dos shows encenados em teatros de Broadway foram
adaptados para o cinema, resultando, entre eles, a conquista do Oscar da
Academia de Hollywood para "Sinfonia De Paris" (An American In Paris), de
1951, dirigido por Vincente Minnelli, com coreografia de Arthur Freed e o
desempenho notável do dançarino Gene Kelly, em uma produção da Metro.
   Este artigo não estará completo sem uma pequena amostra do que Ira
criou, com destaque para: "Who Cares?", "I´ve Got A Crush On You",
"Fascinatin´ Rhythm", I´ll Build A Starway To Paradise", "They Can´t Take
That Away From Me", Liza" e "Our Love Is Here To Stay", cuja letra foi
feita após a morte de George, demonstração de carinho e afeto ao irmão,
uma verdadeira obra-prima que podemos traduzir para "Nosso Amor Está
Aqui Para Ficar".
   Ira Gershwin era especialista na repetição de fonemas, induzindo as
pessoas na memorização das letras plenas de sutilezas. Um mestre da
palavra em fusão com a melodia.
   Antes de falecer, a 17 de agosto de 1983, encarregou o pianista e
cantor Michael Feinstein de preservar a obra dos Gershwin, transformando-o
em herdeiro do enorme acervo.