Os Bons Tempos De Atlantic City

        Nos anos 20,30 e 40, antes de Las Vegas tornar-se o centro de diversões e
jogos dos EE.UU, existiam locais de grande afluência de público que ofereciam
divertimento e lazer. Dessa maneira, podia-se assistir a shows de dançarinos e
sapateadores, jogar em cassinos e dançar ao som contagiante das mais famosas
big bands da época.
   Na área de Los Angeles (costa oeste), as casas mais freqüentadas eram o
Palomar Ballroom onde, em 1935, as apresentações da big band de Benny
Goodman deram início a era do swing; Hollywood Palladium (enorme salão de
baile com capacidade para mais de 6.000 pessoas); Cocoanut Grove, belo espaço
no Hotel Ambassador e o Avalon Balroom, parte integrante do Catalina Island
Casino, localizado na ilha Catalina, a 42 quilômetros das praias.
   A costa leste do país, região de New York, possuia pelo menos três lugares de
grandes atrativos. O Roseland Ballroom em Manhattan, permanentemente lotado
de dançarinos. Mais ao norte, em New Rochelle, o famosíssimo Glen Island Casino,
palco de inesquecíveis apresentações da orquestra de Glenn Miller e, finalmente,
a 160 quilômetros ao sul de New York City, o complexo de entretenimento Steel
Pier, na cidade balneária de Atlantic City, estado de New Jersey.
   Atlantic City era o grande centro de cassinos, hoteis e praias, freqüentados por
milhares de turistas de todo país, a procura de divertimento e períodos de férias.
Nesse contexto, o Steel Pier mantinha, durante o ano todo, atrações artísticas.
Por lá passavam as mais populares orquestras de dança, em bailes animados
por Fletcher Henderson, Paul Whiteman, Benny Goodman, Guy Lombardo,
Tommy Dorsey, Eddy Duchin, Wayne King, Alex Bartha e outras de igual quilate.
O salão de baile Marina Ballroom abrigava, a cada noite, 4.000 pessoas sequiosas
por diversão.
   O lendário baterista Gene Krupa, após deixar a big band de Benny Goodman,
formou sua própria corporação, estreando no Marina Ballroom a 16 de abril de
1938, onde milhares de jovens se "acotovelavam" para dançar ao som da
recém-formada orquestra de jazz. Nessa época, apresentar-se no Steel Pier, era o
caminho certo para a fama e sucesso. Krupa começou a carreira como
bandleader com o pé direito.
   No final dos anos 40, Atlantic City começa a sofrer forte concorrência de
Las Vegas, cidade situada no estado de Nevada e em pleno deserto, onde
vultosos empreendimentos construíram modernos hotéis, cassinos e centros
dedicados a espetáculos artísticos. O impacto que a cidade sofreu foi enorme e,
com isso, logo entrou em decadência, com o encerramento das atividades da
maioria dos hotéis e casas de diversão, até praticamente, a extinção de sua
trepidante atividade como polo de entretenimento.
   Entre o final dos anos 40 e meados dos 70, a cidade ficou estagnada,
transformando-se em região onde obrigava idosos protegidos pela previdência
social norte-americana conhecida como "Welfare". Essas pessoas ocuparam
por muitos anos, às custas do governo, os hotéis da cidade.
   A partir de 1975, um plano para mudar o panorama da região, investiu em
novos hotéis e modernização da cidade, fazendo ressurgir a antiga vocação de
centro de diversôes e turismo. Hoje, Atlantic City está a todo vapor. Hotéis,
cassinos e complexos de lazer estão fincados nos quatro cantos da cidade.
Grandes artistas se apresentam regularmente em hotéis luxuosíssimos como o
Taj Mahal de propriedade do investidor Donald Trump.
   Os bons tempos voltaram a Atlantic City, dando emprego a milhares de
pessoas, entre elas, músicos e artistas em geral. O cantor Steve Lippia,
considerado o Frank Sinatra do século XXI, faz temporadas no Atlantic City
Resorts, sempre com o respaldo da Vincent Falcone Orchestra. O pianista e
bandleader Vincent Falcone foi, por mais de dez anos, diretor musical e
condutor da orquestra que acompanhava Frank Sinatra em shows pelo
mundo, inclusive no Maracanã, em 1980.