Alice Jeanne Leppert sonhava ser artista de cinema. Em 1930, era
corista em teatros de revista na Broadway, participando no ano
seguinte do musical "George White´s Scandals Of 1931" que tinha no
elenco o cantor Ruddy Vallee e sua orquestra, grande destaque na
época. O sucesso foi tanto que Hollywood decidiu filmar o show (1934),
dando chance para a desconhecida Alice Faye. O bom desempenho,
chamou a atenção do chefe dos estúdios 20th Century Fox, Darryl F.
Zanuck. Após testes de fotogenia, interpretação, canto e dança é
contratada com exclusividade, fazendo de quatro a cinco filmes cada ano.

Alice Faye
Na metade dos anos trinta, os filmes musicais com dançarinos e
cantores estavam em alta; não eram de excepcional qualidade artística,
porém gozavam de grande prestígio junto ao público e, como
consequência, os resultados econômicos eram compensadores. Nesse
contexto, Alice deu-se muito bem; loira natural, bonita, com sólidos
conhecimentos de dança e linda voz de contralto, caiu nas graças dos
fãs. Entre 1934 e 1945 (ano em que abandonou a carreira), apareceu em
trinta e duas películas, entre musicais e dramas.
A estréia no disco deu-se em 1933, ao gravar "Shame On You" e
"Honeymoon Hotel", com suporte da orquestra de Ruddy Vallee. Como
intérprete de canções em musicais, gravou com sua bela e diferente voz
imortais temas que se encontram disponíveis em compact-discs,
"Goodnight, My Love", "You´ll Never Know", "I´ve Got My Love To Keep
Me Warm", "I´ll See You In My Dreams", "You´re A Sweetheart", "Where
You Are" e "Never In A Million Years", são os que mais sucesso fizeram.
Seu primeiro casamento foi com o cantor-ator Tony Martin em
setembro de 1938, terminando em divórcio em 1940. No ano seguinte
casa-se com o bandleader/cantor/ator Phil Harris; união de cinquenta e
quatro anos, até a morte de Phil em 1995. O casal teve duas filhas. Alice e
Phyllis. Depois de onze anos de exaustivo e ininterrupto trabalho decide
abandonar a vitoriosa carreira para se dedicar ao marido e às filhas,
aparecendo em 1945 como protagonista da película "Fallen Angel"
(no Brasil com o título de Anjo ou Demônio), tendo como diretor o alemão
Otto Preminger. O retorno às telas deu-se em 1961 (dezesseis anos depois),
na refilmagem de "State Fair" (Feira de Ilusões) sob direção de José
Ferrer. Entre 1976 e 1978, apareceria em mais três películas, abandonando
a partir daí, definitivamente a carreira cinematográfica.
Entre os filmes de maior sucesso da filmografia e pontos de referência
da carreira estão: "Every Night At Eight" (Ás Oito Em Ponto) de 1936, "Music
Is Magic" (A Magia Da Música) de 1935, "Sing, Baby, Sing" (Novos Ecos da
Broadway) de 1936, "On The Avenue" (Avenida Dos Milhões) de 1937, "You´re
A Sweetheart" (O Amor É Uma Delícia) de 1937, "Alexander´s Regtime
Band" (A Epopéia Do Jazz) de 1938, "Weekend In Havana" (Aconteceu Em
Havana) de 1941, figurando no elenco a nossa Carmen Miranda e "Hello
Frisco, Hello" (Aquilo Sim Era Vida) de 1943.
Contratada pelos estúdios da 20th Century Fox para se contrapor ao
sucesso da "loira platinada" Jean Harlow, estrela de primeira grandeza
nos anos trinta, Alice Faye, com talento e dedicação se impôs como uma
das grandes atrizes da era dourada de Hollywood, marcando presença em
inesquecíveis longa-metragens. Nascida em Nova Iorque a 5 de maio de
1912, veio a falecer de câncer aos oitenta e seis anos de idade, no dia
9 de maio de 1998.

Alice Faye e Toni Martin