Al Hibbler          

   Apesar de inúmeras referências indicando Little Rock no Arkansas como sendo sua
cidade natal, na verdade, o cantor negro Al Hibbler nasceu em uma pequena cabana de
madeira na cidade de Tyro no Mississippi - USA, a 16 de agosto de 1915, filho de pobres
lavradores de algodão e, como outro irmão, cego. A família mudou-se de Tyro em 1927,
fixando-se em Little Rock, onde Hibbler ingressa e começa a frequëntar escola para
cegos em 1929, aos 14 anos de idade. Com presença no coro escolar durante os quatro
anos de curso primário, desenvolvendo os dotes vocais, até atingir robusto timbre de
barítono e demonstrando natural talento para o canto.
                                                                           
                                                                        
                                                                       Al Hibbler
   As primeiras influências, recebeu dos cantores de blues Blind Lemon Jefferson,
Leroy Carr e Peetie Wheatstraw. Ao ouvir pelo rádio os cantores brancos Bing Crosby,
Russ Columbo e Buddy Clark, decide cantar no estilo desses excelentes intérpretes
românticos. Hibbler, às vezes, era levado por amigos a lojas de departamento em
Little Rock onde sempre havia uma vitrola tocando: "Lembro-me a primeira vez que
ouvi Duke Ellington, fiquei fascinado pelo som da banda, falando comigo mesmo,
algum dia cantarei com ele", declarou certa vez.
   Ajudado por um empresário, canta em várias oportunidades com black bands que
visitavam a cidade. Entre elas, as lideradas por Fletcher Henderson, Don Redman e
Andy Kirk (impressionando-se sobremaneira com o crooner de Kirk, o tenor de baladas
Pha Terrel). Kirk não o aceitou na banda por ser cego. Sem esmorecer, engaja-se em
programas de rádio na emissora KGHI (Little Rock), cantando às terça-feiras entre
19:45 e 20:00 horas de 1936 até 1938, esperando com a exposição, receber propostas
para vôos mais altos.
   Depois de trabalhar em pequenas bandas territoriais no Tenesse e Texas, entra para
a jazz band do pianista Jay McShann, baseada e Kansas -City, onde atuava aquele que
se tornaria um dos mais influentes sax-altos de toda a história do jazz, Charlie Parker.
Com McShann, Al ficou pelo espaço de um ano, período no qual fez seus primeiros
registros fonográficos (1942), acompanhando a banda quando esta fez apresentações
no famoso Savoy Ballroom no bairro do Harlem em New York. Nessa oportunidade
conhece Ray Nance e Ben Webster, músicos pertencentes à banda de Duke Ellington,
que o convidaram a cantar com Duke no clube noturno Hurricane. A 15 de abril de
1943, Al Hibbler passa a ser crroner da banda, substituindo Herb Jeffries, ficando ao
lado do eminente pianista até 9 de setembro de 1951. Foram quase nove anos
envolvido com músicos de alto nível, um período de ouro, gravando temas até hoje
inesquecíveis como "Do Nothing Till You Hear From Me", "I Like The Sunrise",
"It Shoudn´t Happen To A Dream" e "Don´t Get Around Much Anymore".
   Depois de deixar Ellington, lança-se na carreira independente, cantando em clubes
noturnos no Harlen, ao mesmo tempo em que assina contrato com o selo Atlantic,
gravando também para pequenas etiquetas independentes. Em 1955, ao assinar com
a prestigiosa Decca-MCA, sua carreira tem novo impulso. Sob orientação do produtor
Milt Gabler, grava belos "standards" da música popular como "September In The Rain",
"All Or Nothing At All", "There´s No Greater Love", "This Is Always", "The Very Thought
Of You", "Unchained Melody" e muitos outros.
   Al Hibbler sempre foi defensor intransigente dos direitos civis dos negros
norte-americanos e amigo pessoal do pastor Martin Luther King Jr. Em 1963, durante
marcha anti-segregacionista, foi preso juntamente com outros companheiros. O cantor
Frank Sinatra, amigo de longa data e suporte do movimento, apoiou a atitude,
oferecendo também sua gravadora Reprise para a produção de um álbum.
   Al Hibbler faleceu aos 85 anos a 24-04-2001
   Ouvindo suas gravações podemos aquilatar o refinado cantor que sempre foi.
Albert George Hibbler, uma das belas vozes negras de todos os tempos, tem lugar de
destaque al lado de Billy Eckstine, Joe Williams, Earl Coleman, Herb Jeffries,
Johnny Hartman e Arthur Prysock.
                      

             
             Al Hibbler com Tony Bennett e Duke Ellington em seu camarim
                             no Copa em New York City, maio 1968.