O Cantor Que Canta Chorando

   Johnnie Ray exerceu grande influência no desenvolvimento da música popular
norte-americana nos anos 50 e 60, através de sua originais interpretações, sempre
com alta dose de emoção. De ancestrais indígenas, aos 12 anos perdeu 50% da
audição ao ferir a cabeça numa queda; fato que não prejudicou a evolução da
carreira. Influenciado pela música negra (gospel e rhythm and blue), começa a se
apresentar em bares e clubes na área da cidade de Detroit - Michigan, no final dos
anos 40. cantando e acompanhando-se ao piano.

                            
                                    Johnny Ray
   Em 1951, ao assinar contrato discográfico com a gravadora Columbia, realiza o
primeiro disco de 78 rotações para o selo subsidiário Okeh, usualmente reservado
para artistas negros. No lado A o tema "Whiskey And Gin", no lado B "Tell The
Lady I Said Goodbye", ambos de sua autoria, recebendo boa acolhida em
emissoras de rádio. A 16 de outubro desse mesmo ano grava "Cry" (Chôro), com
apôio vocal do quarteto The Four Lads, no outro lado do disco a canção "The
Little White Cloud That Cried". A partir daí a carreira deslanchou definitivamente.
   Nas primeiras oito semanas, cerca de um milhão de cópias foram vendidas e, até
fevereiro de 1952, mais meio milhão; sucesso comercial sem precedentes para
aquele jovem de 24 anos oriundo de uma fazenda do Oregon. A contrário de outros
cantores, Ray saltou para a fama diretamente do disco; só depois aparecendo no
rádio, televisão e finalmente no cinema.
   O ano de 1952 foi particularmente especial, ao ganhar seu primeiro milhão de
dólares, vendendo a impressionante cifra de 6 milhões de discos; com seu nome
estampado no prestigioso jornal The New York Times e nas revistas Newsweek,
Time e Life. Situação bem diferente dos tempos do clube noturno The Flame,
sobrevivendo com 90 dólares por semana. Agora, para se apresentar em locais
como o Copacabana em New York ou Ciro´s em Los Angeles, não recebe menos
de 10.000 dólares por temporada.
   Johnnie Ray foi, sem dúvida, o primeiro cantor banco norte-americano a
interpretar com estilo profundamente inspirado na música negra, tendo como seus
paradigmas Bessie Smith, Ivie Anderson, Billie Holiday, Herb Jeffries e o pianista
e bandleader Duke Ellington.
   Em 1954, aparece na película rodada nos estúdios da 20th Century-Fox,
"O Mundo Da Fantasia" (There´s No Business Like Show Business), interpretando
um jovem cantor que decide ser padre. No elenco estão Dan Dailey, Ethel Merman
(a grande cantora da Broadway), Mitzi Gaynor, Marilyn Monroe e Donald O´Connor.
Excelente filme musical com temas escritos por Irving Berlin.
   As apresentações públicas do cantor atraiam milhares de admiradores que
desejavam tirar pedaços de suas roupas e só contidos à força pela polícia,
a exemplo do ocorrido com Frank Sinatra a partir de 1943 quando, na carreira solo,
cantava no Teatro Paramount em New York. A Figura carismática de Johnnie Ray e
o acento dramático de sua interpretação, provocaram reações ensandecidas da
multidão, não somente nos EE.UU como também na Europa. Ele foi o elo entre
Al Johson, o trovador inolvidável, cantor de "vaudeville" dos anos 20 e 30 e o grande
fenômeno musical da era do "rock and roll" Elvis Preley.
   Johnnie Ray nasceu na pequena Dallas no estado do Oregon a 10 de janeiro de
1927; seu falecimento deu-se em Los Angeles na Califórnia a 24 de fevereiro de 1990,
aos 63 anos de idade, de falência hepática. Admirado por suas qualidades pessoais e
humanitárias, criou uma fundação com seu nome para dar assistência a crianças
deficientes auditivas, sem estabelecer diferenças sociais ou raciais.
   No mercado brasileiro, existe disponível um compact disc do cantor intitulado
"Johnnie Ray - 16 Most Requested Songs" - 1991, Sony Music Entertainment Inc.

                    
                                 "O Mundo Da Fantasia" da Fox 1954.
                           Da Esquerda para a direita Johnnie Ray, Mitzi
                             Gaynor, Dan Dailey, Ethel Merman, Donald
                                         O´Connor e Marilyn Monroe