Johnny Hartman

     Comparando-se a discografia de Johnny Hartman com as de Ray Charles,
Nat "King"Cole e Billy Eckstine, constata-se que gravou pouco, em quase
quarenta anos de carreira; apenas dezesseis álbuns produzidos por etiquetas
de pequena projeção. É inacreditável que, um cantor de seu porte, tenha sido
tão negligenciado pelos produtores e, por conseqüência, até hoje
desconhecido das novas gerações apreciadoras de intérpretes do
cancioneiro popular norte-americano, particularmente do jazz.
   Seus discos nunca alcançaram sucesso comercial que mereciam; um
intérprete para poucos, para uma elite que sempre o admirou. Os cantores
Tony Bennett e Ella Fitzgerald sempre se declararam seus incondicionais fãs,
considerando-o um fenômeno vocal e interpretativo.
   Nascido em Chicago - Ilinois a 3 de julho de 1923, começou a cantar na
Igreja Batista que freqüentava. Do coro também participava uma garota que
mais tarde, tornou-se a cultuada cantora Dinah Washington. Johnny, aos
dezessete anos e cursando o Wilson Junior College, participa do concurso
de calouros do Chicago's El Grotto, conquistando o 1º prêmio; US$ 25,00 e o
direito de cantar por uma semana com a black band do pianista Earl "Fatha"
Hines. Esse período foi aumentado para um ano, tornando-se crooner de
Hines, ao substituir seu ídolo Billy Eckstine. Até 1947 apresenta-se com a
banda por todo país, quando tem a chance de gravar o primeiro disco,
o boogie-woogie "Midnight In New Orleans", para o selo M.G.M.
   Seguem-se dez temas com seu próprio nome para o selo Regent, com a
black band do pianista Buddy Johnson.
    Entre 1948 e 1950, canta na big band "be bop"do trompetista Dizzy Gillepsie,
gravando quatro temas, entre os quais, "I Should Care", em abril de 1949, para
o selo RCA-Victor.
   Ao deixar Dizzy, vai para a carreira como cantor independente, interpretando
lindas baladas e temas de jazz em clubes noturnos do Harlem e Atlantic City.
   A pequena gravadora Apollo Records da-lhe a oportunidade de gravar em
maio de 1950 e, nessa mesma época apresenta-se no famoso "Café Society"
em New York City, com casa cheia todas as noites, tendo respaldo do
quarteto do pianista inglês Ralph Sharon e do veterano trompetista Howard
McGhee. Depois da Apollo, grava na Bethlehem o fantástico álbum "Songs From
The Heart"(1956) e ainda "And I Thought About You"(1959).
   Em 1963, o encontro com o sax-tenor John Coltrane, resulta no hoje célebre
álbum "John Coltrane & Johnny Hartman", produzido por Bob Thiele para a
etiqueta Impulse. Uma obra-prima. Outras jóias da discografia de Hartman são:
"I Just Drop To Say Hello" (1963-Impulse), "The Voice That Is" (1964-Impulse) e
"Unforgettable Songs by Johnny Hartman"(1966 - ABC Paramount).
   Em 1995, o ator e diretor Clint Eastwood produziu a película "As Pontes de
Madison" (The Bridges Of Madison Country), estrelando ao lado da magnífica
atriz Merryl Streep. A linda voz de Hartman pode ser ouvida ao longo do filme,
interpretando os temas "I See Your Eyes Before Me", "For All We Know" e "It Was
Almost A Love Song". Trilha sonora belíssima que conta ainda com as vozes
de Dinah Washington, Barbara Lewis e Irene Kral. Na oportunidade a produtora
Malpaso lançou dois compact discs intitulados "The Bridges Of Madison
Country" e "Remembering Madison Country".
   Johnny Hartman viveu até os sessenta anos, faleceu a 15 de setembro de
1983 no bairro do Harlem em New York City. Um cantor que merece ser ouvido
por aqueles que têm sensibilidade e bom gosto.

 

 

 

 

 

 

 

Johnny Hartman