O Esfuziante Cab Calloway

     Um homem alegre, cumunicativo e cheio de energia, eis o perfil de Cabbell (Cab)
Calloway, bandleader, compositor, cantor, ator, bailarino e mestre-de-cerimônias.
Nos anos 30 e40 liderou uma da mais destacadas "black bands" da época de ouro
do swing. Nascido no dia de Natal de 1907 em Rochester-New York, foi criado na
cidade de Baltimore-Maryland, tranferindo-se para Chicago-Illinois onde ingressa
na escola de Direito, sem muito entusiasmo, desistindo ao ser admitido no conjunto
musical "The Alabamians" (1928). No ano seguinte, com a dissolução do grupo,
passa para a banda "The Missourians", tornando-se seu diretor musical.

                                                   
                                                             Cab Calloway

   Cab Calloway Orchestra - Em 1931, com a popularidade em alta, a banda passa a se
chamar "Cab Calloway And His Orchestra", tocando nos mais conhecidos redutos
do jazz no Harlem (Savoy Ballroon, Appolo Theatre e Harlem Opera House, entre
outros), até ser contratado para substituir a big band do pianista Duke Ellington, que
estava de partida para uma "tournée" na Europa, no templo sagrado do jazz, o
Cotton Club, permanecendo aí até o final da década. Foi durante uma perfomance da
orquestra que, ao esquecer a letra da música que estava cantando, Cab, ato
contínuo e sem se perturbar, começou a emitir sons sem palavras (sons
onomatopaicos) acompanhando o ritmo da orquestra até o final do número. Tal foi
a reação favorável da platéia que esse estratagema tornou-se sua marca
registrada, passando a fazer parte integrante de seus espetáculos e sendo
cognominado "The Hi-De-Ho-Man" - O Homem Do Hi-De-Ho. Cab foi um dos mais
criativos e inteligentes músicos de sua geração, liderando uma orquestra de
primeira linha, cobrando somas altíssimas por apresentação. Em sua orquestra
tocaram expoentes do jazz como; os sax-tenores Leon "Chu" Berry e Ben Webster,
os trompetistas Dizzy Gillepsie e Paul Webster, o baixista Milt Hinton e o baterista
"Panama" Francis, entre muitos outros.

Destaque no disco - O primeiro milhão de discos vendidos em 1939 com o tema
"The Junpin´ Jive" de sua autoria, seguindo-se "Minnie The Moocher" (Minnie
a vigarista) que passou a ser o tema musical da banda após o incrível sucesso de
vendas. Seguem-se outros como "St. Louis Blues", "St. James Infirmary", "Between
The Devil And The Deep Blue Sea" , "Sweet Georgia Brown", "Moon Indigo", "You
Rascal You" e " (I Don´t Stand) A Chost Of A Chance", um número instrumental onde
o destaque é o sax-tenor de Leon "Chu" Berry.

   Refletores em Hollywood - A permanente notoriedade o levou a filmar na "Meca
do Cinema", aparecendo como cantor, bailarino, chefe de orquestra e ator,
participando de filmes como: "The Big Broadcast" (1932), "International House"
(1933), "The Singing Kid" (1936) ao lado do trovador inolvidável Al Jolson,
"Stormy Weather" (1943) contracenando com a cantora Lena Horne, "Sensations"
(1945), "Saint Louis Blues" (1958) ao lado do cantor Nat "King" Cole, "Cincinnati
Kid" (1965) com o ator Steve McQueen e "The Blue Brothers" (1980) com o título
no Brasil de "Os Irmãos Cara-de-Pau".

   Atuações em Teatros e na Broadway - Em 1948 Cab dissolve a orquestra formando
o septeto - "The Cab Jivers" para apresentações exporádicas que se estendem até
1952, ano em que é convidado a participar da ópera negra composta por George
Gershwin "Porgy And Bess". Interpretando o papel de Sportin´Life, viaja por todo o
país e Europa com grande êxito. Sua vitoriosa carreira como ator culmina ao
aparecer no musical da Broadway "Hello Dolly".

   No Outono Da Vida - Com inesgotável energia, vamos encontrá-lo em 1977, já
septuagenário, no velho continente, atuando como cantor e líder de um conjunto
musical com companheiros da velha guarda, continuando nos anos oitenta com o
mesmo entusiasmo, aparecendo na televisão em em shows por todo o país. Em
1988 Cab Calloway veio ao Brasil, apresentando-se no "150 Nightclub" do Hotel
Maksoud Plaza, entre os dias 26 de abril e 14 de maio. Para essas apresentações,
Cab veio acompanhado de sua mulher Nuzie e da filha Chris também cantora e que
tomou parte dos shows. Ele trouxe também seu pianista e diretor musical Daniel
Holgate e o baterista Frank Derrick. Uma figura extremamente simpática,
entretendo o público nas duas horas em que permanecia no palco.
   No início dos anos 90 Cab, com problemas de saúde ao sofrer um derrame
cerebral, retira-se, definitivamente da vida artística, permanecendo em repouso
na cidade de Husckassin-Delaware onde vem a falecer a 18 de fevereiro de
1994, aos 87 anos de idade.
   Cab Calloway nos deixou a imagem de um homem sempre vestido com elegância,
que ganhou muito dinheiro. grande parte gasto em Cassinos e Hipódromos, posto
que era um jogador inveterado.

                    
                                Cab Calloway à frente de sua orquestra